A coleção verão 2012 do grande varejo foi marcada pelo comedimento. Com o agravamento da crise econômica no continente europeu e a dificuldade encontrada pelo governo norte-americano em aquecer o mercado doméstico, o que se viu nas viagens de confirmação desta temporada foi uma coleção de caráter muito comercial, quase básico. Para completar, o mundo vem enfrentando a constante alta de preços e escassez de oferta de commodities como, por exemplo, o algodão, que acabou por puxar para cima o valor de outras fibras como a viscose e o poliéster.
Feitas essas considerações em relação ao cenário econômico mundial e suas conseqüências sobre o mercado de moda, vamos focar os aspectos mais técnicos desta estação. Primeiramente, observamos a predominância dos tecidos planos sobre a malharia e, embora as tendências apontassem para o uso maciço do algodão, com a falta desta fibra houve um crescimento significativo do uso de tecidos de viscose. Já na malharia o recurso mais utilizado foi o de explorar texturas e relevos, inspirados na natureza. Vimos, então, a continuidade do uso de fios irregulares como os flames, botonês e misturas com linho. A novidade fica por conta dos trabalhos de pontos rendados em malhas leves e transparentes ou trabalhos decorativos que remetem aos aspectos artesanais, como crochê, macramê, redes e bordados.
Esse sopro de otimismo tem tudo a ver com o estilo brasileiro de ser. Um povo criativo, alegre e cheio de energia. Capaz de superar qualquer crise com seu jeitinho conhecido mundo a fora. Neste momento que a auto-estima brasileira atinge o topo, nada melhor do que olhar para nosso próprio universo. O verão abre caminho pare os trópicos e para a latinidade deslocando as fontes de referência do velho mundo para um mundo novo, exuberante e ultra colorido. Cores vivas, como o azul Royal, laranja, verde, amarelo em misturas blocadas, são indispensáveis para criar um clima exuberante barroco e bem ao gosto da brasileira para os dias de calor, sobretudo nas cidades à beira mar.
O verão é um grande cenário Tropical e para combinar com esse espírito leve do vestuário o local indicado para contextualizar as diferentes referências, cores e formas, são as praias de sol e de profundo azul do mar. A natureza mais uma vez faz sua presença, do verde de suas folhagens ao naturalismo. Com isso trazemos os anos 70 que foi a década que melhor retratou esse tropicalismo. Yves Sant Laurent o gênio que potencializou a praticidade de ícones do guarda-roupa masculino sem perder de vista a feminilidade. É a sua visão estrelada da moda, materializada nas noites esfuziantes de boates como a nova-iorquina Studio 54, uma explosão nos anos 70, Bianca Jagger, Lauren Hutton, Liza Minelli, Diane Von Fustenberg alguns ícones da época. Aqui tivemos a novela Dancing Days revelando Sônia Braga, no movimento tropicalismo a Gal Costa e a Rita Lee nos Mutantes.
Havaí e Caribe são lugares que representam bem esse cenário. Estampas com motivos de folhagens, flores, tramas, motivos da natureza, étnicos, suavidade, textura, rendas e transparências.
Nossa cartela de cores tem inspiração nas flores, retratando bem essas influências anos 70, os paraísos Tropicais, os jardins e no minimalismo. A corrente “boho-hippie” explora as tonalidades de azul índigo, cores terrosas, azul céu, e já o lado glamoroso dos anos 70 esbanja charme e elegância uma rica cartela de cores inspiradas nas pedras preciosas, verde jade, tangerina, turquesa, azul Royal e amarelo. A inspiração nos paraísos tropicais e em culturas exóticas de países distantes traz uma paleta de cores luminosas e alegres, contrastando com cores inspiradas na natureza. Nos jardins a melhor tradução contempla os tons neutros naturais que remetem a vida no campo. As tonalidades inspiradas em jardins floridos que são alegres e luminosas. Tons de azul que são derivados do índigo. Essas valorizadas por trabalhos com bordados e rendados. No minimalismo os tons neutros, o BRANCO, sempre líder, procura novas parcerias com cores vitaminadas, intensas e luminosas. Muito forte os tons de bege e branco.
Voil de algodão, laise, algodão fio tinto, voil de viscose, chambray, chiffon liso e creponado, mousseline de seda, cetim, plissados, algodão maquinetado, cambraia de linho, linho, sarja, construção cestaria, panamá, bordado inglês, renda e crochê.
Nas malhas os flames, botonês, mesclas coloridas, jérseis, rendas, crochê e franjados.
Nas estampas os florais pequenos grandes e aquarelados, folhagens tropicais, pássaros exóticos, tie dye, listras, pois, abstratos aquarelados e pele de bichos.
Nas formas muito macacão típicos dos anos 70, saias e vestidos longos, blusas ombro a ombro, bolsos frontais, combinados com lenços floridos no cabelo e bolsas tipo piquenique, decotes abissais, frente única, laços em blusas, calças retas e pantalonas, túnicas estampadas, barradas ou bordadas, promete ser o hit da estação. Vestidos vaporosos, longos, lurex e paetês.
Nos acessórios, muita lona, juta, palha, flores nos cintos, colares, echarpes e bolsas.
Nos sapatos muita textura, palhas, cordas, píton e croco. As sandálias imprimem também o trabalho manual tanto nas espadrilles e tramas das palhas.